O fim das infusões semanais? O avanço da Terapia Gênica na Doença de Fabry!
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- há 1 dia
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Imagine a liberdade de não precisar ir ao hospital regularmente para infusões intravenosas. Para pacientes com a Doença de Fabry, uma condição genética rara causada pela deficiência da enzima alfa-galactosidase A (α-Gal A), essa liberdade está deixando de ser um sonho para se tornar realidade.
Novos dados do estudo clínico STAAR, apresentados nesta semana (3 de fevereiro de 2026), trazem resultados revolucionários sobre a terapia gênica Isaralgagene Civaparvovec (ST-920).
Entendendo a Doença de Fabry
A Doença de Fabry é uma desordem hereditária do metabolismo (doença de depósito lisossômico) causada por mutações no gene GLA. Essas mutações resultam na deficiência ou ausência da enzima alfa-galactosidase A (α-Gal A).Sem essa enzima, o organismo não consegue decompor um tipo de gordura específica, o globotriaosilceramida (Gb3).
O resultado é o acúmulo progressivo dessa substância nas células de todo o corpo, causando danos severos aos vasos sanguíneos, coração e, principalmente, aos rins. Até pouco tempo, o padrão-ouro de tratamento limitava-se à Terapia de Reposição Enzimática (ERT), que exige que o paciente se submeta a infusões hospitalares quinzenais por toda a vida, enfrentando o inconveniente das flutuações plasmáticas da enzima.
Como funciona o Vetor ST-920
A terapia gênica Isaralgagene Civaparvovec (ST-920) representa uma mudança de paradigma, pois não é um tratamento paliativo que apenas mascara as consequências da doença; ela foca diretamente na correção da causa raiz. O processo utiliza a tecnologia de um vetor viral adeno-associado (AAV), que funciona como um "veículo de entrega" biotecnológico. Este vírus é modificado em laboratório para ser inofensivo e incapaz de se replicar, servindo apenas como uma cápsula de transporte para o material genético corretivo.
A Carga Genética: O vetor transporta uma cópia funcional e otimizada do gene GLA humano diretamente para os hepatócitos (células do fígado). O objetivo é que o DNA terapêutico chegue ao núcleo das células sem alterar o genoma natural do paciente, estabelecendo uma nova instrução de produção enzimática estável.
A "Fábrica" Interna: Uma vez dentro do organismo, o fígado passa a atuar como uma fábrica biológica autossustentável. Ele assume a função de produzir e liberar a enzima α-Gal A de forma contínua na corrente sanguínea, permitindo que a enzima alcance os órgãos periféricos e limpe os depósitos acumulados de Gb3.
Dose Única: O maior diferencial clínico é a conveniência e a eficácia de longo prazo. Diferente da ERT convencional, que requer infusões intravenosas vitalícias para manter níveis mínimos da enzima, a terapia gênica é desenhada para ser aplicada uma única vez, proporcionando uma solução duradoura.
Principais Avanços do Estudo STAAR
O artigo recente da Sangamo Therapeutics traz métricas que estão sendo chamadas de "divisor de águas" pela comunidade científica internacional:
Independência Total: Um dos marcos mais celebrados é que 100% dos pacientes participantes do estudo que anteriormente dependiam da terapia de reposição enzimática (ERT) conseguiram interromper o tratamento convencional. A produção endógena gerada pela terapia gênica foi suficiente para manter a homeostase metabólica.
Proteção Renal (eGFR): A função renal, medida pela taxa de filtração glomerular estimada (eGFR), permaneceu estável ou apresentou melhora significativa após 52 semanas de acompanhamento. Este dado é o pilar decisivo para a aprovação final por órgãos reguladores como o FDA, pois prova que a terapia interrompe a progressão da doença nos rins.
Níveis Enzimáticos Sustentados: A produção da enzima pelo próprio corpo manteve-se constante. Isso evita o efeito "montanha-russa" - picos de alta concentração logo após a infusão seguidos de quedas perigosas - comum no tratamento tradicional. Essa estabilidade protege melhor os órgãos contra microdanos diários.
O Futuro da Medicina Genética
Estamos presenciando a transição histórica da medicina de "manejo de sintomas" para a "correção biotecnológica". A Doença de Fabry está deixando de ser uma condição de tratamento crônico exaustivo para se tornar um exemplo de como a ciência pode reescrever o destino de pacientes raros, trocando a dependência hospitalar pela liberdade biológica.
No Intergen, seguimos acompanhando cada passo dessa revolução, trazendo o que há de mais avançado em genética para a nossa comunidade. O futuro já chegou.
Referência: Sangamo Therapeutics presents detailed data from registrational STAAR clinical study. Fevereiro, 2026.




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