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CAR-T para Doenças Autoimunes: Um Novo Capítulo da Terapia Celular

Resultados recentes indicam que terapias CAR-T podem induzir remissão em doenças autoimunes complexas, expandindo o alcance da engenharia celular para além do câncer.


Um artigo publicado na Nature em novembro de 2025 destacou uma tendência crescente: terapias com células CAR-T - já consolidadas em cânceres hematológicos - começam a mostrar resultados promissores em doenças autoimunes.


A reportagem reúne dados de diversos estudos conduzidos principalmente na Europa e nos Estados Unidos, nos quais pacientes com lúpus, artrite reumatoide e colite ulcerativa tiveram melhoras significativas após receberem células CAR-T. Em alguns desses estudos, houve relatos de remissão, despertando grande interesse da comunidade científica.

 Como funciona essa abordagem?


Embora as terapias CAR-T tenham sido inicialmente desenvolvidas para destruir células tumorais, pesquisadores estão adaptando essa tecnologia para intervir em doenças autoimunes graves. A lógica permanece semelhante: redirecionar células T do próprio paciente para atacar um alvo específico. No caso da autoimunidade, o alvo não são células cancerígenas, mas populações imunes envolvidas no processo patológico — especialmente células B.


Segundo a reportagem da Nature, os estudos utilizam principalmente células CAR-T projetadas para reconhecer moléculas presentes em células B associadas à resposta autoimune. Ao eliminar essas células, os pesquisadores buscam interromper o ciclo inflamatório e permitir que o sistema imunológico recupere o equilíbrio.


O procedimento segue etapas já conhecidas na terapia CAR-T:


  1. Coleta das células T do paciente por leucaférese.


  2. Modificação genética dessas células para introduzir um receptor quimérico (CAR).


  3. Expansão e reinfusão, permitindo que as células modificadas atuem diretamente sobre as populações imunes envolvidas na doença.


A ideia central - ressaltada pelo artigo - é que essa eliminação direcionada das células B pode reduzir a atividade autoimune e abrir espaço para que novas células imunes se formem. Essa abordagem, ao invés de suprimir amplamente o sistema imunológico como fazem muitos imunossupressores tradicionais, busca atuar de maneira mais precisa e potencialmente duradoura.


Embora ainda seja cedo para afirmar como essa “reconfiguração” imunológica ocorre em detalhes, os resultados observados nos estudos iniciais sugerem que atacar seletivamente células B pode ser suficiente para aliviar sintomas graves e, em alguns casos, induzir remissão clínica. No entanto, os mecanismos exatos e a durabilidade desses efeitos ainda estão sob investigação.

O que os estudos mostraram?


De acordo com a Nature, os principais achados incluem:


  • melhora clínica significativa após a terapia;


  • casos de remissão, descritos em alguns grupos de pacientes;


  • redução da necessidade de tratamentos contínuos em determinados estudos;


  • efeitos adversos conhecidos da CAR-T, que permanecem sob monitoramento.


Os pesquisadores ressaltam, no entanto, que os estudos ainda são pequenos, que a compreensão dos mecanismos continua em desenvolvimento e que é necessário acompanhar os pacientes por períodos mais longos.

Por que isso importa?


A reportagem da Nature destaca que esses resultados podem representar o início de uma mudança importante no tratamento das doenças autoimunes. Caso estudos maiores confirmem os achados iniciais, a terapia CAR-T pode se tornar uma alternativa para pacientes com quadros graves e refratários, oferecendo uma abordagem mais direcionada do que os imunossupressores tradicionais.


Os dados preliminares sugerem que eliminar seletivamente populações de células B pode reduzir de forma significativa a atividade autoimune e, em alguns casos, levar à remissão clínica. Isso abre a possibilidade de desenvolver estratégias mais personalizadas e duradouras, embora ainda seja necessário entender completamente os mecanismos envolvidos e a segurança em longo prazo.


Para a área de terapias avançadas, esses resultados reforçam o interesse crescente em expandir o uso da engenharia celular além do câncer, explorando novas aplicações e investigando como diferentes tipos de células imunes podem ser modulados de forma terapêutica.

Conexão com o cenário brasileiro


O avanço internacional das terapias CAR-T para doenças autoimunes ocorre em paralelo a iniciativas nacionais voltadas a ampliar o acesso a terapias celulares avançadas. Projetos como os desenvolvidos pela Fiocruz e em parceria com a Caring Cross, focados em CAR-T de menor custo, podem, futuramente, abrir caminho para a implementação dessas tecnologias também no Brasil.


Para o INTERGEN - que atua na formação de profissionais, no desenvolvimento de vetores e nanocarreadores, e na promoção da inovação científica - esses avanços reforçam a importância de:


  • Acompanhar plataformas emergentes de engenharia celular;

  • Formar recursos humanos capacitados na interface entre imunologia e terapia celular;

  • Fomentar a integração entre pesquisa pré-clínica e desenvolvimento translacional;

  • Divulgar tendências globais para o público técnico e institucional brasileiro;


Essa perspectiva evidencia como a evolução internacional da terapia celular pode servir de estímulo para consolidar a pesquisa, a inovação e a aplicação clínica dessas tecnologias no país, mantendo o Brasil alinhado com os avanços globais.


Referência:


Fieldhouse, R. ‘They don’t have symptoms’: CAR-T therapies send autoimmune diseases into remission. Nature, 26 nov. 2025.



CAR-T para Doenças Autoimunes: Um Novo Capítulo da Terapia Celular.
CAR-T para Doenças Autoimunes: Um Novo Capítulo da Terapia Celular.

 
 
 

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