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Anvisa autoriza pesquisa clínica da Fiocruz com terapia gênica para tratar doença rara

Um marco para o Brasil na área de terapias avançadas.


A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou, no dia 24 de novembro de 2025, a realização de uma pesquisa clínica da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) com uma nova terapia gênica desenvolvida para o tratamento da Atrofia Muscular Espinhal (AME) tipo 1, a forma mais grave da doença. A decisão representa um dos passos mais importantes do país no avanço das terapias avançadas, especialmente na área de doenças raras.

 O que foi autorizado?


A Anvisa liberou o início do estudo clínico com a terapia gênica GB221, desenvolvida pela empresa Gemma Biotherapeutics Inc. (GemmaBio) em colaboração com a Fiocruz. A pesquisa será conduzida por Bio-Manguinhos, unidade técnico-científica da instituição, que também será responsável pela transferência de tecnologia, permitindo que o Brasil adquira conhecimento para futura produção dessa terapia.

O que é AME tipo 1?


A Atrofia Muscular Espinhal é uma doença genética rara, causada por mutações no gene SMN1, responsável pela produção de uma proteína essencial para a sobrevivência dos neurônios motores.Sem essa proteína, as células nervosas que controlam os movimentos musculares degeneram progressivamente, levando à fraqueza muscular severa, dificuldades respiratórias e risco elevado de mortalidade nos primeiros anos de vida.

A forma tipo 1 é a mais agressiva e se manifesta nos primeiros meses após o nascimento.

Como funciona a terapia gênica GB221?


A terapia usa vetores virais - sistemas biológicos desenvolvidos em laboratório - para entregar uma cópia funcional do gene SMN1 às células do paciente. Com isso, o organismo pode voltar a produzir a proteína necessária para a manutenção dos neurônios motores, o que tem potencial para melhorar a função muscular e prolongar a sobrevida.


Embora outras terapias gênicas para AME já existam no mundo, este estudo representa a primeira iniciativa dessa escala conduzida diretamente no Brasil com transferência tecnológica, o que pode abrir caminho para maior autonomia científica e produtiva.

Por que essa autorização é importante para o Brasil?


Essa decisão representa um marco estratégico em várias frentes:


1. Avanço regulatório e científico


A autorização reforça o compromisso da Anvisa com a avaliação rigorosa e responsável de terapias avançadas, fortalecendo a segurança e a qualidade da pesquisa clínica no país.


2. Fortalecimento da capacidade nacional


Com a participação de Bio-Manguinhos, o Brasil adquire expertise em desenvolvimento e fabricação de medicamentos de alta complexidade, dando passos sólidos para autonomia em terapias gênicas.


3. Impacto para pacientes com doenças raras


A pesquisa pode abrir novas possibilidades de tratamento e ampliar o acesso, especialmente para famílias que, hoje, dependem de terapias extremamente caras e importadas.


4. Consolidação do ecossistema nacional de terapia gênica


A iniciativa se soma a esforços de centros de pesquisa, redes de especialistas e programas como o INTERGEN, que trabalham para impulsionar a inovação e democratizar o acesso às terapias avançadas no país.

O que vem a seguir?


Com a autorização da Anvisa, a Fiocruz poderá iniciar o recrutamento dos participantes, seguindo os protocolos clínicos aprovados. A pesquisa ainda precisa demonstrar segurança, eficácia e benefícios clínicos antes de qualquer uso ampliado.

No entanto, o avanço já coloca o Brasil em posição de destaque na área, mostrando que é possível desenvolver, avaliar e produzir terapias de última geração no país.

Para acompanhar mais avanços em terapia gênica


Siga o INTERGEN nas redes sociais e acesse nossos próximos conteúdos — vamos continuar acompanhando todos os desdobramentos desse estudo e de outras iniciativas que estão transformando a medicina no Brasil.


Anvisa autoriza pesquisa clínica da Fiocruz com terapia gênica para tratar doença rara
Anvisa autoriza pesquisa clínica da Fiocruz com terapia gênica para tratar doença rara

 
 
 

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